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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

1971 - Chico Buarque - Construção


Já sei, já sei. Voce acabou de pensar "WAT?! O Mecca pirou de vez! Chico? Rock? Mah WTF?!"
Bom, eu nao pirei. Pelo menos não assim, recentemente, radicalmente... Afinal, faz tempo que quero postar esse album. O primeiro motivo é o básico pra postar qualquer album aqui: ele é foda. Eu amo esse album, e morro de vontade de divulgar e mostrar pra todos pq acho ele tão bom. O segundo é mostrar que talvez suas definições musicais estejam mal elaboradas, e que as vezes alguns estilos musicais que a primeira vista soam completamente adversos, podem ser bem próximos. Esse é um album de samba, como todo album do chico. Mas também é um album de prog.
O album abre com Deus Lhe Pague. Tem o andamento sombrio, tenso, carregado. Começa com pura percursão, voz e um piano bastante grave. A letra, como sempre, genial. Novos elementos são inseridos aos poucos na musica - classico artificio do prog. Nota-se logo uma flauta e um violão de aço. Em seguida, vocais de apoio e tambores mais pesados. Trompetes e trombones acrescentam peso à musica.
A segunda é a conhecidíssima Cotidiano. Abre calma num solo de sax (?), segue como um clássico samba e uma letra linda, trazendo poesia de algo rotineiro. O baixo presente é o guia da musica. Novamente, a musica "cresce" conforme passa. Essa é uma constante comum no prog rock, como nota-se por exemplo com o Pink Floyd ou o Yes, e tambem é uma constante pra Chico.
Desalento é o que normalmente chamariamos de "baladinha" do album. Mais triste, arrastada, com varios intrumentos aparecendo e sumindo em poucas notas suaves.
A quarta faixa, Construção, foi crucial pra me guiar a esse post. Tem o desenvolvimento progressivo mais acentuado que todas as outras. O baixo é presente e cadenciado. A letra, uma obra-prima. Chico termina cada verso com uma proparoxitona, e tais palavras são raras. Depois, troxa as ultimas palavras dos versos, alterando totalmente o sentido de cada um dos versos, mas sem mudar o contexto geral. O pequeno e surpreendente solo de sopros quebra a musica repentinamente, mas deixa-a retornar em seguida, acompanhando-a e "aumentando-a". A introdução de chocalho e cuica no final deixam a musica bem mais solta, permitindo o desenvolvimento dessa até a pausa repentina pro verso final da estrofe (efeito que é usado 2 vezes). A seguir, a prova derradeira de que isso é prog: o Deja'vu! Como bom prog rock, ao final de Construção é reintroduzida Deus Lhe Pague, mais pesada que anteriormente, expressando toda a revolta da época para com o governo militar. Cara, gritar isso em pleno governo militar!!! Quer atitude mais rock'n'roll!??!
Cordão é uma daquelas baladas um pouquinho mais soltas, a flauta mantém ela bem mais leve e menos melancólica do que Desalento.
A faixa seguinte, Olha Maria... devo confessar, é o ponto baixo do album. É muito lenta e melancólica, muito sofrida. E apesar de, isolada, acha-la chatinha, dentro do album nem me importo com ela, tão fodásticas são as outras musicas. A musica se torna realmente interessante no finalzinho, na parte instrumental, mais pesada e surpreendente, graças principalmente ao piano.
Samba de Orly é mais uma famosissíma. É bem solta e boa de se ouvir, tem um andamento agradavel, amigavel. A letra fala abertamente sobre o exilio.
Valsinha é curta, sombria e tem uma melodia fantástica, um desenvolvimento relativamente simples e delicioso.
Minha história é mais uma de andamento tranquilo e confortável. Conta, conforme o titulo insinua, sua historia de vida, desde como se conheceram seus país.
A musica final, Acalanto, é ideal para fechar o album. O violino e a linha vocal se acompanham com um sutil violão ao fundo, numa musica muito calma que prepara para o fim do disco.


Enfim, espero que lendo a resenha e ouvindo o album consigam entender o meu ponto de vista. Espero que consigam ver o que há de prog aí, e no minimo possam estreitar as distancias entre esses estilos musicais quase sempre tão afastados pelos fãs, sendo eles ambos fantásticos. E se, por fim, acharem que eu viajei demais pra considerar qualquer coisa aqui como rock... Bom, não será um total dispericio. Rock ou nao, é um album genial, uma obra-prima, que todos deveriam conhecer.

Set List:
1.     "Deus Lhe Pague" – 3:19
2.     "Cotidiano" – 2:49
3.     "Desalnto" – 2:48
4.     "Construção" – 6:24
5.     "Cordão" – 2:31 
6.     "Olha Maria (Amparo)" – 3:56
7.     "Samba de Orly" – 2:40
8.     "Valsinha" – 2:00
9.     "Minha História" – 3:01
10.                       "Acalanto" – 1:38
Line Up:

Chico Buarque - Vocal, violão e arranjos
Outros instrumentistas são musicos de estudio, os quais nao sei quem são ;p
Vale comentar que algumas composições têm parcerias com Vinicius de Moraes, Toquinho, Tom Jobim e Lucio Dalla.

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